quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Amor :um poder simbólico

                Numa tarde morna em algum lugar do Rio Grande do Sul...
                - Cacá, vem aqui cum sua vó, minina!Olha o que eu fiz pr'ocê brincá! 
             Os olhos da moleca brilhavam como duas estrelas no céu. Que maravilha! Nunca tinha visto coisinhas tão bonitas.....pretinhas...... com trancinhas... roupas lindas e muito amor.
           Vovó Ana estava rodeada de retalhos coloridos; seus olhos lacrimosos pareciam cheios de saudades...seu coração viajava por cima das nuvens  aterrissando  muito distante do Brasil.
             Lá onde os dias eram muito quentes, quando o sol se punha, as tardes se pintavam de ouro e carmim; o Grande bordava tiras rosazuis pelo céu enquanto os pássaros carimbavam o espaço com suas silhuetas esguias desenhando formas mirabolantes que se desfaziam como fumaça.África!
                 Quanta saudade! O rio Oxum com suas águas claras convidava a meninada cor de ébano para o banho quente diário; o bosque chamava para brincar e correr atrás das borboletas multicoloridas...quanta beleza, quanta liberdade...
                   Do papai e da mamãe restaram as lembranças esculpidas nos retalhos que sobravam na casa grande; nas narinas de vó Ana estavam ainda presos os perfumes de seus abraços e beijos de adeus que ficaram distantes e pequeninos como seu coração apertado de menina. Distância...solidão...
                    -Você tá chorando, vovó? - perguntou a menina com sua inocência livre.
                    - Não, foi só um cisco que caiu no zóio, muleca!
               Mas estava....pensando no amor que ficou do outro lado do mundo, que não passou de sonho, que se transformou em saudade guardada no cantinho da alma como semente hibernada...para sempre...
                    A menina Cacá embevecida com as preciosidades que a vovó lhe havia feito queria muito mais. Acomodando-se na fofura cândida dos braços da negra pediu:
                   -Vóvó, canta aquela música prá mim!
                 Então secando os olhos com um retalho de cetim,  negra Ana  desfez o nó de tristeza que lhe apertava a garganta, iluminou sua alma com a luz do seu nome e cantou com voz doce e macia:

Eu dexei o meu amô lá munto longe
Munto além do mar
A sodade qui eu sinto é tão grande
Qui mifaiz chorá...

Quando zóio lá pro céu
Qui é infinitu
Vejo teu oiá

São estrela que mi óia e cum seu brio
Qué minfeitiçá

Ai, quem mi dera, quem mi dera
Um dia podê ti abraçá
I sinti teu coração colá nimim
I si dispará

                 Abraçada nas suas lembranças, Vovó Ana  aconchegou em seu colo a pequena Cacá que dormiu um sono perfumado com arroz doce e canela.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dia da Árvore



A Mitologia Yorubá nos ensina que IROCO foi a primeira árvore do mundo.Mãe de todas as outras é também sagrada morada de Orixá.  Originariamente é encontrada na África,alguns exemplares raros existem no Rio e em Salvador, por este motivo nossos ancestrais africanos quando aqui chegaram passaram a utilizar a gameleira para realizar seus rituais.Também as mangueiras e as figueiras são utilizadas para esta finalidade em alguns lugares no Brasil.
IROCO é também Orixá. Faz a comunicação entre a terra e  o astral  transportando as energias existentes entre um e outro. É tempo e longevidade, introspecção e perseverança.
Neste dia 21 de setembro - Dia da Árvore - aqui no Brasil, precisamos refletir sobre a situação da natureza que deixaremos para as próximas gerações.É necessário que o respeito às árvores seja plantado entre as nossas crianças:IROCO agradece!


Fonte:
Iroco, o Orixá Árvore - Roberval Marinho/Cléo Martins
 Mitos Yorubás -  José Beniste

domingo, 9 de setembro de 2012

Abayomi:Um olhar sobre mandingas e patuás




                     "Quem não pode com mandinga não carrega patuá" - esta é uma história pintada de vermelho sangue no Brasil, onde negros mais instruídos e de religião muçulmana embora sendo também escravos, opunham-se a todos os outros que não seguissem suas convicções religiosas.
                      Esta situação emoldura a afirmativa do dramaturgo Nelson Rodrigues: "neste país branco não gosta de preto e preto também não gosta de preto."

                                            
                        
                          

                                  Nesta oficina realizada no XII Acampamento Regional de Cultura Afro,em 7 de Setembro de 2012, no Camping Municipal de São Lourenço do Sul procuramos apresentar a arte das bonecas Abayomi imergindo nas questões étnicas que vivenciamos, ainda, no Brasil e em todo o mundo.
                    Quem são os mandingas em nossa contemporaneidade?Onde podemos encontrar o significado e a representação da arte Abayomi na sociedade brasileira?Como a arte pode desfazer nós dando significado e simbolizando nossos sonhos?                         

O patuá = força espiritual


 Fé, amor e trabalho =realizar sonhos=Abayomi



 



                      

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Abayomi na E.M.E.F.Porto Seguro


"Amigo é coisa prá se guardar no lado esquerdo do peito"
Milton Nascimento e Fernando Brant 



A boneca verde


                  Nalú era uma menina delicada porém tinha personalidade forte: sua chupeta, que apesar dos seus cinco anos ainda carregava,  não era emprestada a ninguém.
                    Apenas sua boneca verde tinha o privilégio de compartilhar seu amuleto precioso, por isso eram amigas inseparáveis.
                         Viviam abraçadas o tempo todo de cá para lá e de lá para cá. Brincavam e sonhavam que jamais haveriam de se separar; desta forma sua mãe podia cuidar despreocupadamente dos afazeres domésticos.
                         As horas se passavam felizes até o momento em que o sonho de Nalú precisava ser desfeito. Suas lágrimas de protesto  feriam o coração da mamãe porém não havia outro jeito...
                                O velho cobertor verde precisava mais uma vez cumprir sua outra função. Enrolando-o com carinho a mãe de Nalú dava forma aos seus sonhos: esta era a única possibilidade da menina ter uma boneca para brincar, porém na hora de passar as roupas perfumadas do varal...
                                Numa noite após se despedir de sua amada boneca verde sonhou com outras tantas bonecas, todas muito coloridas...todas se transformavam em cobertores...
                                   Apenas uma não se desfez. Permaneceu sorrindo o tempo todo para iluminar seu sono de criança... esta era negra e doce como as jabuticabas do pomar...



Aos alunos do EJA/ 1º Bloco  
e a toda equipe de professoras que me receberam com carinho. 
                                                                                                                      Muito obrigada!




                        


                               




sábado, 4 de agosto de 2012

Estudo com pigmento natural


[...]Anansi escalou a teia e subiu até  [..] Nyame para pedir as histórias a ele.[...] quando o poderoso e majestoso  deus do céu viu o frágil velhinho de membros filiformes se aproximar de seu trono, deu uma boa risada[...] 

Fonte: Anansi, o velho sábio.Tradução Rosa Freire d'Aguiar

terça-feira, 31 de julho de 2012

Anansi e seu baú de histórias


 Estudos com pigmentos naturais


"Foi assim [...] que as histórias chegaram à terra[...]Quando Anansi trouxe para casa o baú com as histórias, tratou de aprender todas, junto com sua mulher."






Fonte: Anansi, le vieux sage.Tradução Rosa Freire d'Aguiar.

sábado, 28 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

5ª CRE - Formação de Professores - UCPEL - 29/06/2012



Foto da internet

JOÃO CÂNDIDO FELISBERTO

Mito = modelo exemplar 
(Mircea Eliade,2001)

                              "Uma única imagem contém em si um inventário de informações acerca de um determinado momento passado." (Boris Kossoy, 2001)



                Nesta oficina de Abayomi unimos em cada nó arte, cultura e história brasileira.
               João Cândido trocou os pampas pelo mar e o cavalo pelo Minas Gerais. Foi um negro gaúcho ilustre que não poupou esforços para lutar pelos seus sonhos: trabalho digno, pagamento justo,  liberdade e respeito.
 Este  mito de acordo com a música de João Bosco e Aldir Blanc:

 "[...]a história não esqueceu[...]tinha a dignidade de um mestre sala[...]"
    










terça-feira, 15 de maio de 2012

Abayomi, memória e identidade 5ª CRE - 11/05/2012


›    Vivemos num momento em que são necessárias ações que levem à erradicação do preconceito sob todos os seus aspectos, em particular o étnico-racial, porque “toda experiência vivida deixa, sim, marcadas a carne, o imaginário, a subjetividade de cada um”(LEITE, 2004, p.64). Embora amparadas na Lei 10.639/03 as escolas tem feito esforços ainda tímidos para que estes objetivos sejam alcançados. Levando-se em conta que “as atitudes cotidianas, de uma forma ou de outra, vão marcando esses muitos meninos e meninas, apontando [...] ações muitas vezes discriminatórias [...]” (LEITE, 2004, p.63) nas escolas que devem ser locais de socialização e respeito, pretende-se com este trabalho provocar uma reflexão entre os educadores de várias áreas para que se engajem como multiplicadores desta proposta a fim de que nossas crianças afrodescendentes, já a partir dos primeiros anos, exercitem a autoestima e o seu pertencimento no ambiente escolar. 

     A Abayomi com seus nós tenta sufocar o preconceito porque  o contrário de igual é desigual; e não diferente. Somos iguais na carne apenas desiguais no tom da pele. Ainda bem... Como seria o mundo se todas as flores tivessem a mesma cor?


                                    Tarsila do Amaral. A Família‘. 1925, óleo sobre tela

                                     79 X 101,5cm. Coleção Torquato Sabóia Pessoa

Tarsila em 1925,registrou suas memórias de infância no quadro A Família  pintando a presença da boneca negra entre os escravos.



 "o brinquedo é assim: [...] feitos de tecido macio, de cor branca, leves e agradáveis ao tato, representando uma menina e um menino." (MEC, 2006, p. 36)

























 












 




                 









Fonte:

LEITE,Maria Isabel; OSTETTO, Luciana Esmeralda. Arte, infância e formação de professores. Autoria e transgressão. Campinas-São Paulo: Papirus, 2004.
   

MEC- SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL.Brincar para todos. Brasília, 2006, 156p.